Até que a morte os separe, o padre falou. Mas nem assim as duas almas afastaram-se. Pois ao vê-la morrer, ele se matou. A morte de sua esposa o apunhalou. Então acordam e separam-se de seus corpos dando-se as mãos. Assustados ao se verem no chão se abraçam e vivem a eternidade até que a mesma tente separá-los. Eles sabiam que mesmo assim a tentativa seria em vão.
A promessa de jovens: “Jamais irão nos separar”, percorre pela eterna imensidão de nuvens pelo ar. O casal vaga pelos céus contando as estrelas a noite e indo alcançar o sol pelo dia.
Ela vai a terra firme ver quem chora por ti. Encontrando seu pai e sua mãe em prantos derrete-se e chega perto. Mas ela sequer pode tocá-los. Já não esta mais entre eles. Ela começa a chorar, mas não mais vê ou sente tuas lágrimas, tem vontade de parar tudo aquilo, mas parar o que? Já está morta. Vendo sua amada perto de seus pais comove-se e a abraça.
-Como não sentir mais minhas lágrimas?- Lacrimejava, mas nada se via.
-Estamos mortos. Não ha corpo para termos sangue, não ha sangue, não ha água, não mais há lágrimas. Não mas podemos tocá-los. Nós os vemos, mas eles não. Perdemos nossa parte humana que fazia-nos viver neste mundo.
-Porque morrestes se ainda podia viver muito bem? Agora, assim como eu, não mais pode tocar ou conviver com alguém.
-Porque prometemos estarmos juntos para sempre, e o “pra sempre” continua após a morte. Posso tocar-te e ficar ao teu lado. Isso para mim é mais que o suficiente.
Pois o amor para eles não acabava em palavras. Pois o mesmo era muito além da vida e compreensão. Porque quando prometidos, para sempre ligados estariam. Porque o “para sempre” deles ultrapassava até a mais densa nuvem desse céu azul menino.

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