terça-feira, 24 de maio de 2011

Nossa Morte Pelo “Sempre”



Até que a morte os separe, o padre falou. Mas nem assim as duas almas afastaram-se. Pois ao vê-la morrer, ele se matou. A morte de sua esposa o apunhalou. Então acordam e separam-se de seus corpos dando-se as mãos. Assustados ao se verem no chão se abraçam e vivem a eternidade até que a mesma tente separá-los. Eles sabiam que mesmo assim a tentativa seria em vão.
A promessa de jovens: “Jamais irão nos separar”, percorre pela eterna imensidão de nuvens pelo ar. O casal vaga pelos céus contando as estrelas a noite e indo alcançar o sol pelo dia.
Ela vai a terra firme ver quem chora por ti. Encontrando seu pai e sua mãe em prantos derrete-se e chega perto. Mas ela sequer pode tocá-los. Já não esta mais entre eles. Ela começa a chorar, mas não mais vê ou sente tuas lágrimas, tem vontade de parar tudo aquilo, mas parar o que? Já está morta. Vendo sua amada perto de seus pais comove-se e a abraça.
-Como não sentir mais minhas lágrimas?- Lacrimejava, mas nada se via.
-Estamos mortos. Não ha corpo para termos sangue, não ha sangue, não ha água, não mais há lágrimas. Não mas podemos tocá-los. Nós os vemos, mas eles não. Perdemos nossa parte humana que fazia-nos viver neste mundo.
-Porque morrestes se ainda podia viver muito bem? Agora, assim como eu, não mais pode tocar ou conviver com alguém.
-Porque prometemos estarmos juntos para sempre, e o “pra sempre” continua após a morte. Posso tocar-te e ficar ao teu lado. Isso para mim é mais que o suficiente.
Pois o amor para eles não acabava em palavras. Pois o mesmo era muito além da vida e compreensão. Porque quando prometidos, para sempre ligados estariam. Porque o “para sempre” deles ultrapassava até a mais densa nuvem desse céu azul menino.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Onde Está o Verdadeiro Pesadelo?

Adormeça diz o pai,
Sonhe disse a mãe,
Pois a vida já é uma fantasia,
Mas de tigres e leões.

Durma lhe disseram,
E ela adormeceu,
Percebeu que podia ver os anjos,
Que na vida nunca a esqueceu.

Seus pais seus escudos,
A maldade era o nome do dragão,
Mas essa tinha uma espada,
Sua arma era a imaginação.

Pequenina poeira da vida,
Em seus sonhos era rainha,
Até que amanhece o dia,
E começa a guerrilha.

Gárgulas tentam te pegar,
Monstros te assustar,
E os anjos nem sempre estavam ali,
O que a pequena fazia fora de seu jardim?...

Depois de enfrentar até furacão,
Depois de ver que rosas furam a mão,
Está voltou para seus pais,
E só então ficou protegida e em paz.

E tornaram a dizer-lhe,
Boa noite e durma com os anjos,
Colocando-a em sua cama,
E quando os pequeninos olhos se fecham
O pesadelo vai embora,
E começa a ter sua alegria de volta.

sexta-feira, 13 de maio de 2011



Deixei as coisas passar,
Fingi que não ligava para nada,
Disse que não me importava,
Mas de alguma forma algo dentro de mim não concordava,
As palavras que da minha boca saiam,
Não diziam o que eu sentia,
E se tornavam vazias,
Pelo visto queria enganar o único que não posso,
Esse coração estranho e besta,
Que teima, irrita e cisma,
Em não fazer rima com minhas palavras ditas...